Soft Power – A Força do Verdadeiro Líder

Nos últimos quatorze anos, venho trabalhando com profissionais de primeira, média e alta gestão com foco no desenvolvimento da competência Liderança. Logo no início, quando apresentava para as pessoas o tema, havia uma descrença generalizada no que diz respeito à adoção da postura proposta para os gestores das empresas. As pessoas diziam frases como: “_Você não conhece a nossa empresa”, “_Isto nunca vai funcionar”, “_Aqui só tem dinossauro!”.

Frases assim nunca me inibiram, afinal indicavam a relevância do meu trabalho. Por outro lado, me levavam a perceber a dura realidade vivida pelas pessoas no relacionamento com seus gestores.

Mas por incrível que pareça, por mais de uma vez, encontrei pessoas que me disseram: “_Meu gestor é muito duro, porém aprendi muito com ele!”, “_Meu gestor é terrível, mas só assim para eu me desenvolver”, “_Seu modelo de liderança é muito bonito, mas chegamos até aqui sem ele!”.

Infelizmente, sou obrigada a concordar que por vezes, encontramos no trabalho pessoas difíceis que por seu nível de exigência elevado nos levam a ir mais longe. Elas são adeptas do “Hard Power” ou duro poder. Tais pessoas tendem muitas vezes a nos expor, humilhar, menosprezar e ameaçar.

E porque nos desenvolvemos no trabalhar com gente assim? Embora exerçam sobre nós uma pressão física, emocional e psicológica demasiada, em nosso interior, aceitamos. Parecemos dizer a nós mesmos, eu posso, eu consigo! Vou mostrar a essa pessoa do que sou capaz! Compramos uma briga que não é nossa. Porém nosso desejo de fugir continua presente ainda que representado por uma voz interna bem distante.

Gosto muito da cena do filme “O diabo veste Prada” em que a atriz principal representada por Anne Hathaway, joga o celular no chafariz. É um ato libertário e de resgate dos próprios valores. É uma cena inspiradora!  Embora Miranda Priestly tenha ensinado muito a Andrea Sachs e até mesmo dado a ela uma grande oportunidade na carreira, a pressão demasiada a levou a fuga.

Vale lembrar que um dos indicadores de má gestão nas empresas é o elevado índice de turnover (rotatividade).

Costumo dizer em meus treinamentos, que o ser humano pode ser comparado popularmente a porca, elemento de fixação de peças que se for apertada demais, espana. O mesmo acontece com os seres humanos. Por mais que a percepção seja de crescimento e aprendizado diante da pressão demasiada, mas cedo ou mais tarde, a pessoa espana. E espanar, do ponto de vista humano, tem vários sentidos. Há pessoas que simplesmente vão embora, outras batem boca com seus gestores, sabotam o processo ao fazer bem menos do que poderiam, falam pelas costas e ainda há aquelas que adoecem.  

Assim, se você lidera uma equipe ou tem esta pretensão, quero apresentá-lo ao conceito “Soft Power” que foi desenvolvido pelo professor de Harvard, Joseph Nye e citado em seu livro, Soft Power: The Means to Success in World Politics (Soft Power: Os Meios para o Sucesso na Política Mundial) de 2004. Nas palavras de Nye, o conceito básico de poder é a habilidade de influenciar outros a fazer o que você quer. Segundo o autor há três maneiras de se fazer isto: uma delas é ameaçá-los com galhos; a segunda é comprá-los com cenouras; e a terceira é atraí-los ou cooperar com eles para que queiram o mesmo que você. Se você conseguir atraí-los a querer o que você quer, te custará muito menos cenouras e galhos.

Outra coisa importante é que as pessoas não desejarão ir embora. Elas desenvolvem em relação ao seu gestor, (e consequentemente a empresa em que trabalham) um senso grandioso de comprometimento afetivo e normativo.

O Soft Power é fruto da ação consciente de um gestor que sabe estabelecer metas, desenvolver, valorizar e, sobretudo, respeitar o seu colaborador como uma pessoa que tem direito a dignidade. Liderança, portanto, não significa ausência de autoridade, mas nunca poderá ser sinônimo de abuso de poder.

Artigo de Iraide Pita

22/04/2013

 

 
 
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